“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para a vossa alma.”

Descanso para a alma é a benção que menos experimentamos. Sempre preocupados, ansiosos e cheios de expectativas, assim sobrevivemos.

Tenho que fazer, tenho que agradar, tenho que conquistar, tenho que adquirir, tenho que aparecer…

Tenho aprendido uma das mais lindas e árduas lições:
“A humildade não é apenas uma graça ou virtude como outras, ela é a raiz de todas, pois somente com humildade toma-se a atitude correta diante de Deus, e permite-se que Ele faça tudo”.

Quando nos encontramos com o Senhor somos surpreendidos com a realidade do que somos.

O Senhor lança luz sobre nós e então podemos ver claramente o tamanho de nossas feridas e a sujeira de nossas vestes. Só nos resta a rendição, a entrega a Ele suplicando sua graça, perdão e amor.

Caminhamos um pouco mais, agora com as feridas saradas e as vestes limpas e, sem perceber, nos afastamos da luz novamente. E começamos a tropeçar na nossa suficiência, nosso ego e falsa espiritualidade.

Ao contrário do que o apóstolo Paulo nos ensina: “Nos tornamos sábios aos nossos próprios olhos; não servimos uns aos outros; fazemos tudo por partidarismo ou vanglória, considerando muitos inferiores a nós”.

Buscamos elogios, aprovação, olhares de admiração e novamente nos tornamos sujos e cheios de feridas. Feridas tão profundas que quando reprovados, nossa alma geme.

Se outros são elogiados ou honrados em nosso lugar, nossa alma inveja. Se outro é preferido e nós esquecidos, nossa alma experimenta o tormento do orgulho ferido que não precisaríamos experimentar se, ao invés de ferido, o nosso orgulho já estivesse morto.

Desde o nascimento de Jesus, a humildade sempre foi seu foco principal, “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo tornando-se semelhança de homens e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obedecente até a morte e morte de cruz”.

No início de seu ministério, no sermão do monte, a primeira das bem aventuranças proferidas por Jesus foi:
“Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.”

Aos seus discípulos que disputavam quem seria o maior no reino dos céus? “Quem quiser tornar-se grande entre vós será este que nos servirá”.

Após ter lavado os pés dos discípulos Jesus disse: “Se Eu sendo o senhor e mestre, os lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros”.

Finalmente em seu convite a toda a raça humana:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e achareis descanso para a vossa alma.”

Que nossos olhos sejam novamente abertos para o nosso real estado, que possamos nos arrepender e voltarmos para a luz onde podemos, sempre, ver claramente que nada somos e que somos eternamente dependentes do amado de nossas almas.

Helena Tannure

(Apresentadora do programa clube 700)